sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Lua e o Mar

A Lua e o Mar - declaram o seu Amor...
- Na sua imensidão, eu projeto meu suave brilho.
- Eu devolvo a você seu reflexo, no silêncio de minhas ondas.
- Nas minhas ‘fases’, você me respeita.
- Nas suas ‘fases’, eu lhe acompanho.
- Em mim, muitos se inspiram.
- Em nós, muitos se espelham.
- Quando fico triste, você silencia.
- Com meu silêncio, quero dizer: ‘sinto falta de você.’
- Eu estou sempre com você, mesmo na minha ausência.
- Eu sinto você, por maior que seja a distância.
- Sem você, a muitos eu encanto, mas ‘algo’ me falta.
- Igualmente sinto-me solitário, mesmo encantando, para mim, sem você, não é o mesmo cenário.
- Com um ‘sopro’ de Luz, tento lhe tocar.
- E eu, desesperado, com minhas ondas, tento lhe alcançar.
- O ‘mundo’ sabe de nosso ‘louco amor’.
Estamos um no outro!
Completamo-nos.
Não nos tocamos, e nos Amamos!
Com nosso Amor,
A todos encantamos!
- No meu romantismo, deito-me sobre você.
- Acaricio seu Todo, recebendo seu brilho, desejando não mais amanhecer...
- Eu te Amo, por você ser o que é!
- E eu te Amo, por você estar em mim, e eu estar em você.
Mesmo sem jamais lhe tocar,
Mesmo sem jamais lhe envolver...
Este é o Verdadeiro Amor... Mesmo na distância, mesmo na ausência, um está no outro. Mas existe uma diferença: Eles jamais conseguirão ‘concretizar’ este Amor. E você? Podendo tocar, podendo sentir, podendo viver, está esperando o que, para ‘conversar com seu Grande Amor’?

Recebido de um grande amigo virtual.
Obrigada, Roberto!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mais um dia

É dia. Clareou.
E com ele minha mente desperta...
Minhas lembranças acordam...
Mais um dia de anseios, certezas, incertezas... enfim, mais um dia de vida.
É hora de levantar, mas o macio da cama me impede. O que faço? Reajo ou relaxo?
Há barulho lá fora. A vida lá está se fazendo presente também. No entanto, me aborreço. Que barulho! Onde está o silêncio da madrugada que acalma o turbilhão que envolve todo meu íntimo? Esse barulho não torna possível o contraste necessário.
Preciso do silêncio para poder ouvir o barulho... Que paradoxo!
Aguardo. O tempo passa e o barulho se intensifica...
É, nada posso quando o meu querer esbarra com o querer de todos lá fora.
Levanto da cama e me entrego a esse dia. Não há o que fazer...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Insônia

É madrugada
A falta de sono me impulsiona a escrever. Deixo que as palavras surjam desconexas.
La fora alguém conversa. Mais um insone? Ou será um trabalhador noturno?
O silencio aqui de dentro do quarto me ajuda a sentir o barulho do meu interior. Penso...
É incrível como a madrugada aguça nossos sentidos e o sexto nos ajuda a vislumbrar um mundo mais inteligível!
Minha gata se aproxima e se aninha junto a mim, como se quisesse se fazer protegida e também me proteger. Que delícia!
Penso no dia de ontem; penso nos que se foram, nos que virão... penso na vida.
Vida, essa que muitas vezes me prega peças e nessa brincadeira me descubro altamente vulnerável á sua força. Sinto medo, alegria, tristeza, revolta, gratidão, solidão, enfim, vivo.
Olho pela janela e observo que o sol está me observando também. É hora de acordar desse sono acordado e viver mais um dia.
Que assim seja!
Bom dia, dia!

terça-feira, 27 de abril de 2010


"A fantasia não é exatamente uma fuga da realidade; é um modo de a entender."
Loyd Alexander

O amor da minha vida

O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso, e me ama também.
Agora falta encontrar alguém com quem possa me relacionar. É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira há muitos anos. Não basta nossos namoros longos, os rompimentos e a teimosia de desejar mais daquilo que não há de ser. Não presta que ele me visite pra acabar com as saudades e fuja correndo de pernas bambas e um bumbo no peito. Não importa que eu esqueça meu nome depois, nem que me perca num oco, ou que os sentimentos corram de ambos os lados, intensos e desarvorados. Não basta que haja amor para se viver um amor. Eu e ele somos as cruzadas da idade média, o Osama e o Tio Sam, o preto e o branco da apartheid, o falcão e o lobo, o Feitiço de Áquila. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca. Tenho fascínio pelo plutão que ele habita, e ele vive intrigado por minha vênus, mas quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ele avista o mar eu olho pra montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não entendi nada. Discordamos sobre o tempo, o tamanho das ondas, a cor da cadeira. O desacerto é de lascar, e não há cama que resista a tantas reconciliações - um dia a cama cai.

Esta semana fui ver a Ópera do Malandro em cartaz no Rio de Janeiro. Se o Chico Buarque nunca mais tivesse feito outra coisa na vida, ainda assim teria de ser imortalizado pelas alturas em que transita sua poesia nesta obra. Como ando as voltas com assuntos de amor, prestei atenção na cafetina Vitória que, do alto de sua experiência, ensinava: O amor jamais foi um sonho, o amor, eu bem sei, já provei, é um veneno medonho. É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio.

Mais adiante Terezinha, a heroína quase ingênua, sofria:

Oh pedaço de mim, oh metade arrancada de mim, leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. Leva o que há de ti, que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi.

Naquela noite, inspirada pelo Chico, voltei pra casa decidida - não quero mais o amor da minha vida ocupando o lugar de amor da minha vida. Venho portanto, pedir a ele publicamente, que libere a vaga. É com você mesmo que estou falando, você aí, que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração, faça o favor de desinstalar-se. Xô. Há de haver um homem bom, me esperando em alguma esquina desse mundo. Um homem que aprecie o meu carinho, goste do meu jeito, fale a minha língua, e queira cuidar de mim. As qualidades podem até variar, mas aos interessados, se houver, vou avisando; existem defeitos que considero indispensáveis.

Meu amor tem de ter uns certos ciúmes, e reclamar quando eu precisar viajar pra longe. Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo, e achar que sou distraída e não sei dirigir. Quando ficar surpreso de eu ter chegado até aqui sem ele, afirmarei sem ironia, que foi mesmo por milagre. Este homem deve querer nosso lar impecável, com flores no jarro, e é imperativo que faça tromba quando não estiver assim. Ele irá me buscar no trabalho e levará direto pra casa, nada de madrugadas na rua! Desejo enfim que meu amor me reprima um pouco, e que me tolha as liberdades - esse vôo alucinante e sem rumo, anda me dando um cansaço danado.

Maitê Proença